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Maria de Axé

Maria iniciou cerca de 40 pessoas no culto religioso afro-brasileiro
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Maria de Axé
A filha de alagoana e sergipano casou cedo, aos 15 anos, e teve sua primeira filha, Patrícia, aos 17

Este perfil faz parte da reportagem especial “Maria, Maria: Entenda como vivem as mulheres brasileiras”. Para acessar a série completa, clique aqui.

Maria Zesunita, 60 anos, mãe de santo

Nascida em São Paulo, Maria Zesunita é mãe de santo e atual dirigente do terreiro de Candomblé Ilê Omo Obá Opô Aganju, casa religiosa de tradição afro-brasileira que lidera há 15 anos, no bairro da Casa Verde. Regida por Obá e Xangô, divindades africanas consideradas como detentoras do fogo, “Mãe Maria”, como é conhecida dentro da religião, também é carnavalesca e faz parte da organização da escola Colorado do Brás.

A filha de alagoana e sergipano casou cedo, aos 15 anos, e teve sua primeira filha, Patrícia, aos 17. Despreparada e imatura, sabia muito pouco da vida, mas com força e coragem, aceitou o inesperado e descobriu na filha uma vocação: ser mãe. Dois anos após o nascimento da primogênita, teve a segunda surpresa: nasce Alessandro, o segundo filho, que completou a alegria do casal.

OLHA SÓ: Maria, Maria: Entenda como vivem as mulheres brasileiras

Nesta mesma época, enquanto habituava-se ao desafio da maternidade, Maria teve o primeiro contato com a espiritualidade em um terreiro de Umbanda de sua rua. Rodopios, sensações estranhas e avisos sobre a mediunidade a ser trabalhada a assustaram. O episódio fez com que Maria fugisse e focasse no que era mais importante para ela: sua família.

Após fugir de sua primeira experiência em um terreiro, Maria recorre à espiritualidade para concretizar o desejo da terceira gestação, mas a missão de ser mãe deixa em suas mãos outros 40 filhos espirituais

No entanto, com o passar dos anos, emergiu em Maria e seu marido a vontade de um terceiro filho. A frustração surgiu ao descobrirem um sério problema nos ovários de Maria, que impossibilitaria a gestação. Intuída por uma voz interior, ela recorreu a um pai de santo, para uma consulta ao oráculo divinatório africano, o jogo de búzios. No jogo, a predestinação: somente a iniciação no culto do Candomblé traria a cura para a doença e a tão desejada gravidez. Mesmo incerta e com pouco conhecimento sobre o que esperar, Maria acreditou e passou a frequentar o terreiro de seu primeiro pai de santo, Joãozinho do Pó, como forma de se preparar para a “feitura de santo”.

E AINDA: Maria das Lições e Missões

Movida pelo desejo de ser mãe novamente, ela aceita passar pelos 23 dias de reclusão dentro do terreiro de Candomblé e seguir todos os preceitos e rituais próprios da religião. O dia 6 de fevereiro de 1988 marca a tão aguardada “saída-de-santo”, ritual público em que a noviça é apresentada para a comunidade como a mais nova iniciada do terreiro. Maria renasce como filha do Orixá Obá, divindade africana detentora do fogo, do poder feminino e da obstinação.

Com a iniciação, a rotina de Maria tornou-se outra. Todas as quartas-feiras passaram a ser dedicadas para orações à divindade para a qual foi iniciada ritualisticamente, com o único propósito de superar a doença outrora apontada e engravidar mais uma vez. E o objetivo não tardou a ser alcançado. Pouco antes de completar um ano de iniciação, Maria descobre a gravidez. Pedro, o caçula da família, nasce regido pelo Orixá do fogo e da realeza, Xangô e é o permanente companheiro de Maria.

FIQUE POR DENTRO: Maria de Sangue e Coração

Tempos mais tarde, aos 12 anos de iniciada, Maria recebeu um aviso espiritual sobre a necessidade de abertura de sua própria casa religiosa. Assim, no dia 27 de novembro de 2005, é fundado, oficialmente, o Ilê Omo Obá Opô Aganju, seu atual terreiro de Candomblé. Entre inúmeras alegrias e decepções, filhos que chegam e vão, Maria iniciou cerca de 40 pessoas no culto religioso afro-brasileiro.

E como um coração de mãe, as portas da casa de Maria também estão sempre abertas. Os atendimentos de jogo de búzios ocorrem de segunda a quinta-feira, dias em que a mãe de santo reserva para receber filhos e clientes que desejam consultar os Orixás pelo jogo de búzios. E entre uma consulta e outra, Maria também realiza todos os demais rituais religiosos. Ela se dedica ao sagrado em tempo praticamente integral.

SAIBA MAIS: Maria de Valores

Hoje, passados 32 anos desde sua iniciação no Candomblé, Maria segue sua religião com o máximo de amor, dedicação e entrega. A mãe de santo tem como base sua fé nos Orixás para enfrentar todos os obstáculos e desafios. A mãe de santo de sangue quente, do fogo e do dendê é Maria de axé.

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