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Um Agosto Lilás ainda mais marcado pela violência contra a mulher

Em meio à pandemia da Covid-19, mulheres que sofriam abusos em seus lares passaram a conviver 24 horas e a estarem literalmente presas aos seus algozes
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Estamos há 17 meses em meio à pandemia, com crises em vários setores da economia mundial e um cenário extremamente desafiador. E nesse mês, nos voltamos mais uma vez para o enfrentamento à violência doméstica contra a mulher, com a campanha denominada Agosto Lilás. Apesar de termos motivos para celebrar as muitas vitórias que a Lei Maria da Penha nos trouxe nesses últimos 15 anos, recém completados no último dia 7, temos uma triste realidade a enfrentar.

Em meio à pandemia da Covid-19, mulheres que sofriam abusos em seus lares passaram a conviver 24 horas e a estarem literalmente presas aos seus algozes. Em especial, durante a quarentena, não havia nenhuma válvula de escape, nenhum momento de paz, o que tornou esse agosto de 2021 um momento de maior reflexão e atenção sobre a gravidade do tema. 

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Lembro-me do momento em que foi decretada a quarentena, da sensação experimentada, o medo de perder quem eu amava! Passados esses primeiros pensamentos egoístas, relacionados unicamente ao meu núcleo, paralisei e me dei conta de quão aterrorizante se tornariam as vidas de milhares de mulheres que vivem em situação de violência. 

Como estariam aquelas que não tinham um lar seguro? Sem rede de apoio e sem acesso aos familiares, além do aumento do número de desempregados (o que alimentava ainda mais situações de estresse). Ou seja, todos os fatores que tendem a aumentar muito o risco.

De fato, como demonstra o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as notificações que relatavam violências caiu drasticamente e acendeu o sinal de alerta. Mulheres estariam sofrendo caladas sem conseguir pedir ajuda. A partir daí houve uma série de medidas para que os órgãos de proteção se adaptassem, muitos estados passaram a admitir a realização do boletim de ocorrência online, por exemplo.

A violência contra as mulheres na pandemia atingiu números altíssimos, 1 em cada 4 mulheres relatou ter sofrido algum tipo de violência. O que significa dizer que 17 milhões de mulheres sofreram no último ano algum tipo de violência. 

Devemos dar voz às mulheres vítimas desses abusos. Devemos nos lembrar que a violência não é somente aquela que deixa olhos roxos e braços quebrados, ela passa pela violência moral, psicológica, patrimonial e sexual. Devemos ainda afastar o mito de que, a violência acontece tão somente na periferia. Não, de fato, não! A violência é uma praga em nossa sociedade, estruturalmente machista e não tem classe social. A violência contra mulheres há muito vem sendo normatizada pela sociedade, que relativiza quando uma mulher diz que sofreu violência, mas não carrega hematomas em seu corpo. 

Assim, cabe a nós em todos os meses do ano nos apoiar enquanto mulheres detentoras de direitos e convidar os homens a essa luta. Trazer luz sobre esse tema e aclarar a mente daqueles que diminuem a problemática existente. Sejamos acolhedoras com aquelas que relatam sua dor. Tenhamos uma escuta empática e sem julgamentos, pois nós somos a rede de apoio dessas mulheres. A mulher que sofre violência não gosta de apanhar, ela apenas está inserida em um ciclo de abuso e seu maior desejo é que o abusador cesse com os abusos. Não julgue, acolha! Denuncie!

Sigamos juntas!

Hellen Moreno é advogada de causas femininas

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