Conheça a mulher que começou na edícula de casa a maior empresa do segmento de eventos corporativos do país

Com um total de 700 produções realizadas em 2020, Meire Medeiros prova que inovação é a chave para enfrentar crises
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Meire defende que é necessário “saber que o dinheiro da empresa é da empresa, e não seu”, e que é necessário investir no próprio negócio para enfrentar crises.

Natural de Santo Antônio, Rio Grande do Norte, Meire Medeiros, 60 anos, apaixonou-se por São Paulo ainda na adolescência e sabia que faria da cidade seu novo lar. Mas a capital paulista também se tornou o berço do seu negócio, o Grupo MM, maior empresa do segmento de eventos corporativos do Brasil.

A futura empreendedora chegou a São Paulo aos 15 anos para passar as férias com o tio, e decidiu que não queria mais voltar para Santo Antônio, cidade que fica a aproximadamente 40Km de Natal. Decidida, ela enviou uma carta à família, na qual informava que não voltaria para casa, e pedia que os pais enviassem seus pertences e pedissem a transferência da sua matrícula na escola para São Paulo.

Preocupado, em menos de 15 dias, o pai de Meire chegou à capital para levá-la de volta para o Nordeste. “Ele me falou que, enquanto eu estivesse sob o domínio dele, eu deveria morar com ele. Na época, só respondi: ‘Está bem, mas, assim que eu puder, venho embora’”.

Após alguns anos, a empresária novamente informou a decisão de se mudar definitivamente para a cidade paulista. “Eu falava que, quando ficasse desempregada em Natal, iria embora para São Paulo, não procuraria emprego”, conta. A situação não demorou a acontecer, e ela, sem nem sequer esperar a rescisão, pegou um voo para São Paulo e foi morar com o tio.

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Menos de um mês depois, começou a procurar emprego. Depois de alguns amigos dizerem que ela deveria seguir na área de vendas, teve como primeiro trabalho a comercialização de assinaturas de revista de porta em porta. Durante o período, Meire teve uma filha, Ana Carolina Medeiros, hoje com 34 anos, e ao voltar de licença-maternidade, outra amiga a incentivou a seguir um caminho diferente: trabalhar com vendas em hotéis.

Meire mudou de área e começou a trabalhar em um hotel em Águas de Lindóia, que tinha escritório em São Paulo. Pouco depois, foi chamada pela diretoria para conversar sobre uma redução salarial, já que ganhava muito bem entre salário e comissão. “O meu gerente sabia que eu não aceitaria a proposta e já havia ligado para uma amiga dele em outro hotel. No dia seguinte, eu já estava empregada novamente”, lembra Meire, que passou a trabalhar com eventos corporativos em um hotel em Santos, no qual chegou a assumir o cargo de diretora de vendas.

Foi na década de 90 que Meire começou a aprender mais sobre eventos corporativos. “Naquela época, me perguntavam sobre projetor, por exemplo, e eu respondia: ‘O que é isso?’. Mas transformei tudo em aprendizado: fazia e aprendia. Esse era meu grande desafio e acho que essa é minha grande história”, conta.

Em 1993, Meire abriu seu negócio: a agência de eventos Grupo MM. Ela conta que, na época, se perguntou: “Quem sou eu agora?”. “Até então, eu era a Meire, do Grupo Mendes. Mas eu tinha de ser Meire Medeiros, eu queria saber se eu realmente existia no mercado.”

Meire abriu a empresa na edícula da casa onde morava e, logo no começo, conseguiu contratos com grande parte dos seus antigos clientes do Grupo Mendes. A empresária começou a atender empresas como Asta America e Banco Nacional, o qual continua seu cliente até hoje, mesmo após virar Itaú Unibanco. No primeiro ano da empresa, Meire realizou 330 projetos e ainda atende clientes que seguem com ela há 26 anos, desde a abertura da empresa.

Com o Grupo MM, Meire enfrentou diversas crises econômicas, mas sempre soube se reerguer. O principal ponto defendido por Meire para conseguir atravessar crises é “saber que o dinheiro da empresa é da empresa, e não seu. O primeiro ponto é a separação de contas”. Além disso, ela enfatiza que pensar no futuro é fundamental, investir no próprio negócio, “porque você nunca sabe o dia de amanhã”, complementa.

Ainda que tenha enfrentado outros períodos de instabilidade econômica, Meire conta que não esperava algo como a pandemia da Covid-19. Novamente, foi necessário começar algo do zero. Junto da filha, surgiu a ideia de realizar eventos on-line.

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Com as adaptações, o tempo de cada palestra nos eventos foi reduzido e foi necessário a implementação de tecnologia de realidade aumentada para os lançamentos de diversos produtos, entre outras soluções.

Outra novidade foram nas chamadas lives interativas, nas quais cada cliente recebe em sua casa um kit relacionado ao tema do evento on-line, o que gera uma sensação de interatividade. Cada empresa pode solicitar para seus clientes, e as entregas podem variar de 50 a dois mil kits personalizados. 

Mesmo com dados que apontam para o fechamento de um terço das empresas no setor, como mostra a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), Meire afirma que seu negócio segue firme no mercado. No ano de 2020, com o início da pandemia, a empresa contabilizou 700 eventos. Já entre janeiro e abril deste ano, foram realizados 183 eventos, dos quais 21 foram híbridos (parte presencial e parte on-line).

Além disso, Meire diz que tem a expectativa de encerrar 2021 com um faturamento de R$ 105 milhões, um crescimento de aproximadamente 5% em relação ao ano anterior. “Graças aos kits, devemos terminar 2021 com 950 eventos realizados”, comemora a empreendedora.

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