Conheça a vice-presidente de uma das maiores empresas da indústria farmacêutica no Brasil

Karla Marques deixou a faculdade de moda para atuar no chão de fábrica do negócio da família
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Karla Marques Felmanas faz parte da terceira geração de empresários no ramo farmacêutico e conta sua trajetória desde a separação de pedidos até a vice-presidência

Da moda à indústria farmacêutica, Karla Marques Felmanas, 46, iniciou o curso de Moda na Anhembi Morumbi e fez pequenos trabalhos no segmento.  Mas logo no quarto período da faculdade, perto dos 20 anos de idade, começou a trabalhar com o pai que, na época, tinha uma pequena indústria farmacêutica no bairro Cambuci, na cidade de São Paulo.

Nascida como uma empresa familiar, a Cimed, companhia farmacêutica que hoje tem a executiva como vice-presidente, contava no quadro de funcionários com um dos irmãos na área comercial e de marketing, a mãe nas compras, o pai o financeiro e Karla na  produção.

“Comecei no chão de fábrica e, conforme a empresa crescia e adquiria novas unidades, passei a assumir outros desafios”, relata. Em 1998, a companhia comprou uma planta em Pouso Alegre, MG, e a empresa foi transferida para a cidade, onde Karla começou a ter novas atribuições e responsabilidades.

Ao longo de sua trajetória, atuou em diversos departamentos. Começou com a separação de pedidos, foi para a pesagem de matéria-prima, manipulação, controle de qualidade, além de ter passado pelo setor de compras, RH (recursos humanos) e TI (tecnologia da informação). Além disso, Karla acredita que a indústria farmacêutica “é muito sedutora. Nela existem todas as áreas possíveis: tem departamento de marketing, área de crédito e cobrança, produção. É um negócio fácil para se adaptar”, diz.

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A mãe de Karla viveu com câncer durante 12 anos e após a sua morte, em 2009, o pai se afastou da empresa, ao mesmo tempo em que a irmã de Karla, Mariana Marques, decidiu voltar para a Austrália, depois de ter retornado quatro anos antes para o Brasil.

“Para ele, a empresa era muito valiosa. Meu pai queria saber o nome do funcionário que estava na portaria, mas em um negócio com cinco mil funcionários vai saber como?”, conta Karla sobre o pai que, na época, demonstrou confiança na administração de Karla e do irmão João Adibe Marques, e decidiu iniciar um processo de sucessão ao vender o negócio aos filhos. Após a transição, o patriarca da família deixou a empresa definitivamente. “Não foi de pai para filho, foi business mesmo”, afirma.

Ao falar sobre ser mulher e vice-presidente, Karla afirma que a maior dificuldade encontrada no meio não se deu necessariamente ao gênero, mas sim à faixa etária. “Além de ser mulher, eu era muito jovem, então eu me sentava em uma mesa com um pessoal muito mais velho. Acho que é mais difícil adquirir respeito quando se é muito jovem do que a questão de ser homem ou mulher”, relata.

A Cimed conta com uma liderança de 38% formada por mulheres, além de um time  49% feminino, e “vamos trabalhar para chegar na igualdade ou até passar”. Karla ainda comenta que a presença de mulheres também muda com a área de atuação. “Na empresa, eu já sinto a presença feminina muito mais forte, mas quando vou para uma reunião em um banco, estou acostumada a ver dez homens e só eu de mulher”, afirma.

Diferente de outras empresas familiares, Karla conta que na Cimed o pai tratava os filhos como funcionários. “Hoje eu agradeço, porque acredito que muito da minha personalidade e da personalidade do meu irmão, são resultados da criação e da exigência dele”, conta.

Sobre sua vida pessoal, a vice-presidente afirma que gosta de ajudar e sente essa necessidade, mas não deseja fazê-lo apenas financeiramente, e sim com tempo, disponibilizando um momento para se dedicar aos projetos nos quais se envolve, “principalmente agora que meus filhos já estão grandes”.

Na maternidade, conta que os filhos sempre tiveram uma mãe que trabalha. “Toda mãe que trabalha se pergunta em algum momento: ‘será que eu fiz a escolha certa?’”, relata Karla que complementa ao dizer que quando integrou a lista da Forbes das 20 Mulheres de Sucesso do Brasil, sentiu a certeza de estar no caminho certo. Certeza essa que foi endossada pelo reconhecimento de seus filhos “em um curto período de tempo”.

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A executiva faz parte da terceira geração da família que atua no ramo farmacêutico. Seu avô João Marques era propagandista e apresentava produtos de laboratório recém-lançados para médicos, e o pai de Karla teve a oportunidade de comprar uma pequena empresa chamada Laboratório Prata. Logo, pai e filho passaram a trabalhar juntos no negócio adquirido. Entre os seis tios de Karla, Fernando de Castro Marques, o mais velho e presidente do grupo União Química, entrou na sociedade da empresa. Quando os irmãos mais novos de João Marques também passaram a se dedicar à companhia, ele decidiu vender a parte dele para o irmão mais velho e montar um laboratório pequeno, que futuramente viria a se tornar o grupo Cimed.

A vice-presidente também conta que enfrenta desafios todos os dias. “Você chega na Cimed pela manhã e é uma nova empresa”, diz. Mas, um dos grandes desafios que tem enfrentado no negócio é o novo projeto de expansão, com a construção de uma nova fábrica, que corresponde ao maior investimento do negócio, com R$ 220 milhões investidos inicialmente, além da liberação de mais R$ 100 milhões no projeto.

Ela ainda afirma que o crescimento da empresa se dá, principalmente, à logística, já que com as diversas distribuidoras espalhadas pelo Brasil, tornou- se a única indústria que faz a distribuição direta e atende 60 mil pontos de vendas todos os meses.

Durante a pandemia, ela conta que a empresa se preparou e garantiu a compra antecipada de insumos, pois tudo é importado e uma grande parte é recebida da Índia. “Trabalhamos com uma cadeia muito longa, as compras são feitas quase 120 dias antes para garantir o abastecimento”, afirma Karla. Além disso, a companhia implementou protocolos de segurança com máscaras e distanciamento nas linhas de produção e refeitório, com o objetivo de garantir que a fábrica não parasse e seguisse com respeito às regras necessárias.

No pós-Covid, Karla afirma que quer investir na longevidade das pessoas, principalmente por meio do fortalecimento nas produções de vitaminas. “A linha cresceu bastante na fase de pandemia, porque o brasileiro entendeu a necessidade de se prevenir”, encerra.

Quando o assunto são os números, a Cimed apresentou crescimento de cerca de 20% nos últimos anos e fechou 2020 com faturamento de R$ 2 bilhões. Além disso, com a conclusão da nova fábrica dedicada apenas à produção de medicamentos sólidos orais genéricos, que teve a primeira fase finalizada no final de 2020, a expectativa é aumentar a capacidade de produção dessa categoria em 35%, com a fabricação de aproximadamente 40 milhões de comprimidos por mês.

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Atualmente, a empresa possui mais de 600 produtos em seu catálogo e conta com mais de cinco mil colaboradores em todo o Brasil. Além da fábrica em Pouso Alegre, a Cimed também tem um centro de distribuição central e gráfica em São Sebastião da Bela Vista (MG), e outros 24 centros de distribuição espalhados pelo país.

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