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Dólar cede terreno contra real após dados dos EUA

Nesta manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que as solicitações de auxílio-desemprego totalizaram 406 mil na semana passada, contra expectativa em pesquisa da Reuters de 425 mil pedidos
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O dólar recuava frente ao real nesta quinta-feira (27), com os operadores reagindo a dados dos Estados Unidos que vieram em linha com as expectativas do mercado, enquanto, no Brasil, os ruídos políticos e a agenda de reformas do governo ficavam no radar.

Às 10:36, o dólar recuava 0,37%, a 5,2930 reais na venda. O dólar futuro negociado na B3 tinha baixa de 0,39%, a 5,2945 reais.

Nesta manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que as solicitações de auxílio-desemprego totalizaram 406 mil na semana passada, contra expectativa em pesquisa da Reuters de 425 mil pedidos. Em dado separado, o Departamento do Comércio norte-americano disse que o Produto Interno Bruto (PIB) do país expandiu a uma taxa anualizada de 6,4% no primeiro trimestre.

“Os mercados estavam com uma expectativa grande em relação aos dados de hoje, e eles vieram bastante em linha” com as projeções, afirmou Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office.

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Relembrando o susto deste mês com dados completamente diferentes do esperado sobre o emprego e a inflação nos Estados Unidos, ele explicou que as cifras mais alinhadas desta quarta-feira “ajudam a acalmar os mercados, que começam a tirar o prêmio da expectativa”.

Os indicadores econômicos dos EUA têm dominado os holofotes nas últimas semanas, à medida que os investidores buscam por sinais de inflação sustentada que poderiam levar a uma mudança na postura de política monetária do Federal Reserve.

O banco central norte-americano prometeu que não aumentará os juros até que a economia volte ao pleno emprego e que a inflação chegue a 2% e suba acima desse nível, mas suas autoridades já começaram a reconhecer que estão mais próximas de um debate sobre quando retirar parte de seu nível de apoio.

A posição atual dos juros norte-americanos, em patamares próximos a zero, tende a favorecer ativos de países emergentes, uma vez que os operadores vão buscar retornos mais altos fora dos mercados dos EUA.

No Brasil, por outro lado, a expectativa é de aumento de juros pelo Banco Central. Em nota, Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, disse que “o aperto monetário poderá ser o suficiente para continuar a atrair o capital local estacionado no exterior e o capital estrangeiro” para o Brasil.

Mas a elevação da taxa Selic “pode se abreviar antes do que prevê o mercado e antes da taxa deixar de ter caráter estimulativo”, alertou. “Para ajudar, faltam reformas avançarem no Congresso, mas de maneira concreta e não os arremedos atuais.”

Gibertoni, da Portofino, também chamou a atenção para o atraso na agenda de reformas do governo, citando ainda os ruídos políticos internos como fatores que estão limitando a valorização da divisa brasileira. “É frustrante a movimentação do real”, afirmou.

Levando em consideração o cenário macroeconômico, “o dólar deveria estar abaixo de 5 reais, mas está preso próximo à faixa de 5,30 reais. Acho que um fator essencial é a utilização do dólar como proteção, hedge. Enquanto isso, há todo o vaivém da política, há pessoas pensando lá na frente, nas eleições de 2022, e ainda há dúvidas sobre as reformas.”

Na véspera, a moeda norte-americana spot fechou em queda de 0,48%, a 5,3127 reais na venda.

O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 15 mil contratos com vencimento em novembro de 2021 e março de 2022.

(Com Reuters)

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