Marfrig compra fatia de 24% na rival BRF para diversificar investimentos

Negócio somou 196,68 milhões de papéis comprados via opções e leilões em bolsa
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A processadora de carnes Marfrig confirmou ontem (21) ter comprado cerca de 24,23% no capital da empresa de alimentos BRF, e disse que a operação “visa diversificar os investimentos” do grupo.

Em comunicados, Marfrig e BRF confirmaram as transações, que haviam sido divulgadas antes na imprensa. O negócio somou 196,68 milhões de papéis, comprados via opções e leilões em bolsa.

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“A aquisição (…) visa a diversificar os investimentos da Marfrig em um segmento que tem complementaridades com seu setor de atuação numa empresa onde a administração vem realizando uma reconhecida gestão”, disse a Marfrig, a acrescentou que “não pretende eleger membros para o conselho de administração ou exercer influência sobre as atividades da BRF”.

Ela também disse que não foram celebrados contratos ou acordos sobre direito de voto.

O movimento da Marfrig evidencia a força da divisão da empresa na América do Norte, onde a demanda tem sido forte e os preços do gado, relativamente baixos. Isso impulsionou o preço das ações da empresa em relação às da BRF, cujas margens foram comprimidas pela maior dependência do Brasil.

Os ativos das empresas têm complementaridade, dado o foco da Marfrig em bovinos e da BRF, em aves e suínos. As duas competem com a rival e líder de mercado JBS, que tem uma base de produção diversificada que inclui vendas de alimentos processados e três tipos de proteínas.

O site Brazil Journal publicou mais cedo que a Marfrig já havia comprado 4,9% do capital da BRF e estava comprando ações adicionais do fundo de pensão Previ, mirando fatia de cerca de 20% na empresa.

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As ações da BRF, que vinham subindo nos últimos dias em meio a negociações atípicas e elevados volumes, saltaram com as notícias e fecharam em alta de 16,2%, a R$ 23,16.

Já o papel da Marfrig teve queda de 5,2%, a R$ 19,04.

Os frigoríficos brasileiros têm visto os lucros aumentarem nos últimos anos, ajudados pelo fortalecimento da demanda da China, especialmente a partir de 2018, quando uma peste mortal que afeta suínos forçou o abate de milhões de animais em 2018, abrindo espaço para importações de empresas estrangeiras.

Nos últimos meses, no entanto, os frigoríficos no Brasil têm enfrentado elevação drástica de custos, à medida que os preços do gado dispararam e os custos dos grãos atingiram níveis recordes, ameaçando encolher suas margens de lucro.

Antes da operação desta sexta-feira, as empresas haviam discutido uma possível aquisição da BRF pela Marfrig, mas interromperam as negociações em julho de 2019.

A compra pela Marfrig das ações da BRF foi noticiada primeiramente pelo jornal Valor Econômico.

(com Reuters)

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