A moda comfy veio para ficar?

Tendência durante a pandemia, o uso de roupas mais confortáveis deve permanecer com ressalvas
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Fazer uma mega produção para sair deixou de ser um hábito diário após a chegada da pandemia de Covid-19, o isolamento social e o home office. Mas com a prorrogação da situação sanitária, adaptações digitais do trabalho e rotineiras vídeo-chamadas, foi necessário trocar os dias de pijama por uma aparência mais séria, mas que se encaixe também com o ambiente de casa. 

Assim, da vontade das pessoas de ficarem confortáveis, porém com uma aparência mais adequada para o trabalho, surgiu o movimento da moda comfy, ou confortável, que colocou o conforto das peças no centro das produções de estilo. Os moletons, tecidos fluidos, cortes retos, modelagens amplas e o minimalismo dominaram o varejo de roupas em 2020 e começo de 2021. 

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Pesquisadora de moda há mais de 10 anos, Talitah Sampaio explicou à EQL como surgiu a moda comfy e as perspectivas da tendência para o futuro. 

“Na pandemia, a moda passou por um hiato e vimos um movimento em que o público ditou o que era tendência, o que não acontecia há um tempo. A indústria agregou o comportamento do momento e se adaptou para isso, sempre pensando no home office. Em todas as marcas, grandes ou pequenas, vimos o uso de moletom, ou chinelos puff, por exemplo”. 

No entanto, o fim da pandemia está cada vez mais perto com a aceleração da vacinação e, na esteira desta sequência, também vem o tão sonhado fim do isolamento. Com a retomada da antiga rotina em sua totalidade, Talitah acredita que já é possível ver uma transformação do que vimos até então sobre o comfy, que tende a seguir um movimento contrário, mas sem esquecer do conforto. 

O comforty vai ficar, mas vai mudar!

“O que vimos na semana de moda de Paris foi um movimento maximalista, mas o conforto esteve presente com outros estilos. Teve misturas de tecidos finos, plumas e paetês com modelagens mais confortáveis, por exemplo”. 

Segundo Talitah, a semana de moda em Paris geralmente delimita as principais tendências. A última edição do evento ocorreu entre os dias 5 e 8 de julho, momento em que a Europa já começava a apresentar sinais de retorno à normalidade. 

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A pesquisadora afirma que as pesquisas apontam para duas vertentes de tendências pós-pandemia. Uma parte acredita que a moda minimalista vai ser mais forte, com a presença do moletom, modelagens mais confortáveis, cores sóbrias e cortes retos. A outra diz que o maximalismo vai prevalecer e o entusiasmo de sair do confinamento vai se refletir nas roupas. “Acredito que nos próximos movimentos de pós pandemia, as pessoas vão se inspirar numa busca por elas mesmas, seja qual for o estilo.”

“A conclusão é que ficamos dois anos em casa e vamos querer continuar usando as coisas que compramos na quarentena, porque o conforto é viciante”, afirma a pesquisadora. Para ela, aos poucos vamos voltar a fazer o que fazíamos antes e essas mudanças culturais de hábitos vão ser agregadas à moda, transformando a forma de como o conforto vai ser usado com outras coisas. 

Outro ponto colocado por Talitah é a questão da identificação do público com a moda comfy. “Quando a gente usa muito alguma coisa, acaba se identificando com ela. Muitas coleções com blogueiras, influencers e ícones da moda agregaram a ideia de poder ficar em casa com algo que também possa ser usado para sair.  Os pijamas, o moletom, tênis e outras peças mais confortáveis do cotidiano foram transformados e combinados com outros estilos, tecidos e acessórios durante a pandemia”

Não existe só uma tendência

A pesquisadora garante que independente das próximas influências de estilo que vão surgir, a moda atualmente oferece mais liberdade de escolha para as pessoas criarem seus estilos de acordo com as suas preferências. “Antigamente a gente tinha épocas marcadas por uma tendência só,  mas há aberturas muito maiores na moda. O mercado está mudando e foi se adaptando aos diversos tipos de gostos”.

Além de pesquisar moda há mais de uma década, Talitah também se dedica a produzir conteúdos sobre o assunto na internet. Para ela, é importante que as pessoas tenham a liberdade de escolher os estilos que as fazem sentir bem e confiantes, o que pode não seguir as tendências do momento. “O importante é usar algo que te faça sentir bem, não adianta ver uma roupa bonita em uma blogueira e comprar ela, se não for se sentir confiante quando usar”. 

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