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Dólar tem queda acentuada e interrompe sequência de altas

Perspectivas de aumento dos juros e correções na reforma tributária enviada ao Congresso freiam alta do dólar
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O dólar caiu acentuadamente contra o real hoje (12), quebrando uma longa sequência de altas diárias consecutivas, em meio à redução dos receios em torno da reforma tributária e à perspectiva de juros mais altos no Brasil.

A moeda norte-americana à vista caiu 1,61%, a R$ 5,1736 na venda, sua maior desvalorização diária desde 6 de maio deste ano (-1,612%). Mais cedo, na mínima do pregão, o dólar chegou a tocar R$ 5,1639 na venda.

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O movimento vem na esteira de uma sequência de altas consecutivas iniciada no dia 29 de junho.

Na B3, o principal contrato de dólar futuro caía 1,63%, a R$ 5,185.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, assegurou em almoço com empresários na semana passada que eventuais distorções da reforma tributária –encaminhada recentemente pelo governo ao Congresso Nacional– serão corrigidas.

Carlos Duarte, da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), disse à Reuters que a perspectiva de ajuste de pontos importantes da proposta é motivo de alívio para os investidores. Ele relembrou que os mercados se frustraram inicialmente com o texto apresentado pelo governo, um dos motivos que explicam a trajetória de valorização do dólar vista recentemente.

Duarte afirmou também que ainda há fatores domésticos fornecendo amparo ao real. “Devemos ter melhora na balança comercial e o recurso dos investidores estrangeiros começou a voltar para o Brasil, com a taxa Selic subindo e a atividade econômica melhorando.”

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Em sua última reunião de política monetária, o Banco Central promoveu a terceira alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, a 4,25%, e indicou que vai anunciar aumento da mesma magnitude, pelo menos, em sua próxima reunião.

Juros mais altos no Brasil elevam a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, o que tende a atrair capital estrangeiro e, consequentemente, beneficiar o real.

Ainda assim, o clima em Brasília tem sido motivo de cautela. Na sexta-feira (09), o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, por ser contra mudança no sistema de votação do país para incluir o voto impresso e mais uma vez colocou em dúvida a realização das eleições do ano que vem.

Em reação a isso, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que o Parlamento repudia qualquer especulação sobre a não realização do pleito de 2022 e garantiu que a eleição vai ocorrer.

Em meio ainda às investigações da CPI da Covid-19 no Senado, uma pesquisa Datafolha mostrou no sábado que a maioria dos entrevistados apoia a abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro.

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“Incertezas sempre intranquilizam o mercado financeiro, ainda que não existam razões técnicas sustentáveis”, escreveu Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora, referindo-se à forma como a escalada das tensões políticas nas últimas semanas tem compensado a percepção de um ambiente doméstico benigno para o real nas últimas semanas.

Mesmo com a desvalorização desta segunda-feira, o dólar ainda acumula ganho de 5,45% contra a moeda brasileira desde que fechou o dia 24 de junho numa mínima em mais de um ano de R$ 4,9062.

Duarte, da Planejar, disse que, além dos ruídos em Brasília, a aversão a risco do investidor mundial também tem respaldado a moeda norte-americana, principalmente em meio à disseminação da variante Delta, altamente contagiosa, da Covid-19.

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