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Entenda o que é placentofagia e por que comer a placenta tem se tornado uma prática comum

Especialistas afirmam que o órgão passa nutrientes essenciais da mãe para o bebê e contém ferro e hormônios benéficos do pós-parto
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Para Andhiara Soares, doula e gestora de yoga para gestantes, a placenta é uma árvore, que através de suas raízes recebe toda a nutrição da mãe e a leva para o bebê durante a gestação. “A placenta é um órgão que acompanha o bebê desde o início do desenvolvimento dele. Então, por nove meses, a gente é cuidado e protegido por aquela película maravilhosa”, explica. Esse é o primeiro órgão a ser formado na gestação e é o único que o corpo expele de forma natural durante o parto normal.

A primeira vez que a doula teve contato com uma placenta foi em uma ecovila, quando ela foi convidada a presenciar o nascimento de um bebê. “Ver aquela mulher parindo em um ambiente completamente natural e depois celebrando o nascimento com um brinde de shake da placenta, foi quando fui introduzida a maravilhosidade que é esse órgão”, diz Andhiara. 

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A placenta possui vasos sanguíneos do embrião e maternos e através deles é possível promover a comunicação entre a mãe e o feto, fornecendo nutrientes, oxigênio, proteção imunológica e física ao bebê, além de eliminar resíduos do feto, como a urina. Além disso, o órgão produz hormônios importantes para a manutenção da gravidez, como estrógenos, progesterona e HCG.

Consumir a placenta, em shakes como relatado por Andhiara, em cápsulas ou em tintura, é conhecido como placentofagia. Segundo a doula, são muitos os benefícios trazidos através da ingestão da placenta e também do contato da mãe e do bebê com o órgão. 

As cápsulas consistem no cozinhamento, desidratação e trituração da placenta. O pó resultante dessa prática é colocado dentro de pílulas ou cápsulas para que a mãe possa ingerir. Já as tinturas são extratos alcoólicos feitos com um pedaço pequeno da placenta, que fica curtindo durante alguns dias e em seguida é filtrado. Por se tratar de um teor de álcool muito grande, as tinturas devem ser diluídas antes do consumo.

Supostos benefícios

Cada forma de consumir a placenta traz um benefício diferente para a mãe ou para o bebê, segundo Andhiara. Logo após o parto, a mulher perde uma quantidade significativa de sangue e de nutrientes “A prática de ingerir a placenta in natura oferece benefícios imediatos para a mulher após o parto, como aporte de ferro e aporte hormonal, e por isso pode ajudar a recompor todas essas vitaminas e nutrientes perdidas no parto”, explica a especialista. 

Além disso, é comum ouvir dizer que a placentofagia previne a depressão pós-parto. Andhiara justifica que isso também está relacionado à perda de nutrientes no parto, principalmente do ferro, e que a placenta oferece justamente esse aporte. A mesma coisa acontece com a hemorragia pós-parto, que está entre as principais causas de mortalidade materna. 

“Com o nascimento do meu filho, eu procurei saber mais o que é a placenta. Acabei não consumindo a minha, tive um parto hospitalar, o que me deixou um pouco frustrada porque eu queria provar, sentir o gosto dela, ter esse suporte nutricional”, conta a doula, que acabou consumindo a placenta através da tintura. 

A tintura da placenta funciona como um fitoterápico e ajuda na regulação emocional da mulher. “A tintura também traz vários benefícios para o bebê e depois ajuda na dentição, alivia angústias de separação, como ir pra escola ou a volta da mãe ao trabalho”, explica Andhiara. 

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Após o nascimento do filho, Andhiara foi introduzida às artes, ao carimbo da placenta e ao ritual de plantar o órgão. “Esse é um ritual muito antigo, realizado por povos originários, de todas as Américas. Eles costumavam enterrar placenta no quarto do bebê. Então, esse órgão, para muitas culturas, representa um símbolo de proteção.”

Outra forma de consumir a placenta é através de cápsulas. “A placenta encapsulada tem benefícios maravilhosos para a mãe, pois trabalha a nível físico oferecendo aporte hormonal,” conta Andhiara. 

A doula ressalta que o consumo da placenta também promove a regulação da produção de leite, tanto para mulheres que precisam conter essa produção, quanto para as que precisam produzir mais leite. 

Ainda assim, são poucos os embasamentos científicos sobre a eficiência do consumo da placenta, mesmo com repercussões recentes de famosos ingerindo placenta, como a socialite norte-americana Kim Kardashian. Um estudo da revista Women and Birth revelou que a ingestão de cápsulas de placenta têm pouco ou nenhum efeito no humor pós-parto, na fadiga e na ligação materna com o bebê e a publicação sugeriu que o tema fosse mais estudado.

Em 2016, a apresentadora Bela Gil divulgou que consumiu sua placenta após o parto do filho e explicou sua decisão: “Não tem nenhum estudo científico, nada que fale que comer a placenta é maravilhoso, mas a placenta é rica em nutrientes e hormônios, pode diminuir o risco de depressão pós parto e deve ser uma escolha da mulher consumi-la ou não”, disse na época.

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Por outro lado, um outro estudo preliminar alemão da Universidade de Jena listou benefícios hormonais e para a saúde no consumo da placenta.

Mesmo assim, é importante ressaltar que é necessário um cuidado especial ao manipular e ingerir a placenta, pois ela pode estar contaminada com bactérias e acabar adoecendo quem a consome.  

“A placenta tem inúmeros benefícios e realmente é uma guardiã. Eu acredito que é muito importante que as mulheres conheçam os benefícios e conheçam essas raízes. Que a gente possa se conectar cada vez mais com nosso corpo, com nossa fisiologia e com a fisiologia do nascimento”, finaliza Andhiara. 

A questão legal

Na grande maioria das vezes, a placenta é manipulada de forma doméstica, ou seja, após partos em casa ou naturais. Ainda assim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assegura o direito da mãe de levar sua placenta para casa após um parto no hospital. A Resolução nº 306/2004 diz que a placenta só pode ser material de descarte caso não seja requisitada pela família. 

Além disso, segundo a Anvisa, o serviço deve garantir que o paciente ou a sua família recebam um material preservado, ou seja, é ilegal obrigar a mulher a jogar sua placenta no lixo hospitalar. “Na maior parte dos casos, a placenta não apresenta risco da presença de agentes infectantes, a não ser que a grávida esteja contaminada, o que levaria a problemas também com o bebê. Nesse caso, o resíduo deve ser encaminhado para tratamento antes da disposição final e a criança encaminhada para tratamento médico”, diz a resolução.

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Como a placenta é um órgão, a legislação brasileira proíbe a sua comercialização, pela Lei 9.434/97, que prevê pena de reclusão de 3 a 8 anos para a venda de órgãos, tecidos ou partes do corpo humano.

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